Ciência da Aprendizagem • Design da Formação • Desafio Cognitivo

Dificuldades desejáveis na formação: porque pode uma formação mais difícil ser mais duradoura?

Uma leitura científica sobre a engenharia do desafio cognitivo e a construção de uma aprendizagem sustentável

Nem toda a dificuldade é útil, e a facilidade de desempenho durante a formação nem sempre significa melhor aprendizagem a longo prazo. O objetivo é conceber um nível adequado de desafio que leve o formando a recuperar, analisar e escolher, sem transformar o desafio num fardo que dificulte a aprendizagem.

Por:Dr. Najwa Abdulrahim Shaheen

Índice do artigo

Conceitos essenciais

Desirable Difficulties

Dificuldades desejáveis

Desafios deliberadamente concebidos que podem tornar o desempenho durante a aprendizagem relativamente mais difícil, mas que podem reforçar a retenção, a recuperação e a aplicação posterior quando se adequam ao formando e à tarefa.

Cognitive Load

Carga cognitiva

A memória de trabalho é limitada; por isso, deve eliminar-se a dificuldade improdutiva e manter-se o desafio que leva o formando a pensar no núcleo da tarefa.

Retrieval Practice

Prática de recuperação

Levar o formando a procurar o conhecimento na memória, em vez de se limitar a relê-lo, proporcionando feedback e um nível de dificuldade gerível.

Challenge Calibration

Calibração do desafio

Ajustar a dificuldade de acordo com a experiência do formando, a complexidade da tarefa, o apoio disponível, o custo do erro e a fase de aquisição, consolidação ou transferência da competência.

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Matriz proposta de dificuldade da formação

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Zona de conforto

A dificuldade é baixa e a capacidade é elevada. O desempenho é rápido e os erros são poucos, mas existem riscos de tédio, baixo crescimento e ilusão de domínio.

Ação: aumentar a variedade, reduzir o apoio ou introduzir uma situação nova.

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Desafio produtivo

A dificuldade é adequada e a capacidade do formando permite tentar, recuperar e corrigir. Observa-se esforço cognitivo claro, juntamente com erros corrigíveis.

Esta é, geralmente, a zona-alvo.

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Sobrecarga

A dificuldade ultrapassa os recursos disponíveis do formando; repetem-se erros básicos, perde-se o percurso da tarefa e aumenta a dependência do formador.

Ação: decompor a tarefa, repor o apoio e reduzir o número de variáveis.

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Caos

A dificuldade resulta de mau design: instruções ambíguas, informação incompleta, interface complexa ou atividades não relacionadas com o objetivo.

Ação: eliminar a dificuldade, não pedir ao formando que se adapte a ela.

Dificuldade desejável = desafio cognitivo produtivo + capacidade adequada + feedback + benefício diferido
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Introdução

Muitas práticas de formação habituaram-se a considerar a facilidade de aprendizagem como um sinal de qualidade: quanto mais fluida a explicação, mais fáceis as atividades, mais rápidas as respostas e menos os erros, mais bem-sucedido parece o programa.

Mas a ciência da aprendizagem coloca uma questão diferente:

A facilidade de desempenho durante a formação significa necessariamente qualidade da aprendizagem depois de a formação terminar?

A resposta nem sempre é sim.

Algumas condições que tornam a formação mais fácil podem melhorar o desempenho imediato sem produzir necessariamente a melhor retenção a longo prazo, enquanto certas dificuldades cuidadosamente concebidas que abrandam o desempenho durante a aprendizagem podem reforçar a retenção da informação e a capacidade de a recuperar e utilizar mais tarde.

Foi neste contexto que surgiu o conceito de Desirable Difficulties, associado ao trabalho de Robert Bjork e dos seus colegas; é um conceito que convida a repensar a relação entre a facilidade da formação e a sua eficácia.

Mas o conceito exige uma leitura rigorosa: nem tudo o que é difícil é útil, e confundir o formando não é uma estratégia de aprendizagem.

A questão central é:

Como conceber um nível adequado de desafio que leve o formando a despender esforço cognitivo produtivo, sem ultrapassar a sua capacidade e transformar o desafio num fardo que dificulta a aprendizagem?

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Primeiro: O que são dificuldades desejáveis?

As dificuldades desejáveis referem-se a condições de aprendizagem que tornam a aquisição do conhecimento ou o desempenho durante a prática relativamente mais exigentes, mas que podem melhorar a retenção e a aprendizagem a longo prazo quando são adequadas ao formando e à tarefa.

Entre os exemplos encontram-se:

• O espaçamento entre sessões de aprendizagem.

• A recuperação a partir da memória em vez de apenas reler.

• O intercalamento de diferentes tipos de problemas.

• A variação das condições e dos contextos de prática.

• Pedir ao formando que tente gerar a resposta antes de ela lhe ser apresentada.

O paradoxo é que algumas destas práticas podem fazer o formando sentir que aprender se tornou mais difícil.

Pode cometer mais erros.

Pode demorar mais tempo.

Pode sentir que o seu desempenho é menos fluido.

Mas esta redução temporária da facilidade de desempenho não significa necessariamente uma redução da qualidade da aprendizagem.

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Segundo: Porque pode a dificuldade servir a aprendizagem?

Quando o formando recebe a resposta sem precisar de a procurar na memória, analisar a situação ou distinguir entre alternativas, o esforço cognitivo exigido é limitado.

Mas quando lhe é pedido que:

recupere, compare, analise, preveja, gere, tome uma decisão e depois reveja o resultado dessa decisão;

o processo de aprendizagem torna-se mais ativo.

Aqui podemos distinguir entre:

Exposição à informação Exposure

e

Processamento ativo Active Processing

O formando que viu resolver dez problemas não aprendeu necessariamente tanto como aquele que tentou resolvê-los sozinho e depois recebeu feedback.

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Terceiro: Nem toda a dificuldade é desejável

Este é um dos pontos mais importantes a sublinhar.

O termo «dificuldades desejáveis» pode ser mal interpretado como um convite para tornar a formação mais complexa.

Isso não é correto.

Uma dificuldade só é desejável quando desencadeia processos cognitivos que apoiam a aprendizagem e o formando consegue lidar com ela num grau razoável.

Se a dificuldade ultrapassar os seus conhecimentos prévios ou a capacidade de processar a tarefa, pode transformar-se em:

• Confusão.

• Carga cognitiva excessiva.

• Erros improdutivos.

• Abandono da atividade.

• Redução da motivação.

• Aprendizagem incorreta.

Por isso:

A dificuldade não é, por si só, um valor formativo; o seu valor depende dos processos de aprendizagem que desencadeia.

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Quarto: Dificuldades desejáveis e carga cognitiva

Aqui chegamos a uma zona delicada do design da formação.

A Cognitive Load Theory explica que a memória de trabalho é limitada e que o design instrucional deve evitar esgotar os seus recursos com elementos desnecessários.

Como conciliar isso com a introdução de dificuldades?

Não existe necessariamente uma contradição.

O objetivo não é aumentar aleatoriamente a dificuldade, mas eliminar a dificuldade improdutiva, preservando o desafio cognitivo produtivo.

Exemplo:

Se o formando está a aprender análise de riscos, pedir-lhe que escolha entre três riscos semelhantes pode representar um desafio útil.

Em contrapartida, apresentar uma tabela mal concebida, instruções ambíguas, termos não definidos e informação dispersa não constitui uma dificuldade desejável, mas sim obstáculos de design.

Aqui surge uma diferença fundamental:

O desafio resultante de pensar no problema pode ser útil.

Enquanto:

O desafio resultante de um mau design da formação não o é.

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Quinto: Spacing — porque é que a concentração da formação nem sempre é melhor?

Uma prática comum consiste em concentrar a formação num único bloco de tempo:

cinco horas num dia, ou cinco dias consecutivos, e depois o programa termina.

Este formato pode ser necessário do ponto de vista organizacional, mas nem sempre é o ideal para a retenção a longo prazo.

O Spacing Effect indica que distribuir a aprendizagem ou a prática ao longo do tempo pode reforçar a retenção, em muitos contextos, quando comparado com concentrar toda a prática num único período.

Em vez de:

Aprender Aprender Aprender Teste

pode conceber-se um percurso como:

Aprender Intervalo Recuperar Aplicar Intervalo Recuperar Nova aplicação

A dificuldade surge aqui porque, com o passar do tempo, diminui parte da facilidade de acesso à informação.

O formando tem de despender mais esforço para a recuperar.

Esse esforço pode fazer parte do processo de reforço da aprendizagem.

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Sexto: Retrieval Practice — faça o formando procurar na memória

Reler o material produz uma sensação de familiaridade.

A recuperação, pelo contrário, testa a capacidade do formando de aceder ao conhecimento quando este não está à sua frente.

Assim, em vez de dizer:

......Revejam a página anterior.............

o formador pode dizer:

Fechem os apontamentos e escrevam de memória os quatro princípios que discutimos.

Ou:

Sem consultar o modelo, qual é o passo seguinte? E porquê?

A distância entre a pergunta e chegar à resposta representa uma forma de esforço cognitivo.

Mas o grau de dificuldade deve ser adequado.

Se a recuperação for quase impossível, o benefício esperado pode não se concretizar.

É aqui que o feedback se torna um elemento decisivo.

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Sétimo: Interleaving — não treine cada competência como uma ilha separada

Na Blocked Practice, a pessoa pratica repetidamente um único tipo de problema antes de passar ao tipo seguinte.

Por exemplo:

AAAA → BBBB → CCCC

Na prática intercalada, a sequência pode ser:

A → C → B → A → B → C

O primeiro método parece mais fácil e organizado e pode produzir melhor desempenho durante a prática.

Mas o interleaving pode obrigar o formando a colocar uma pergunta adicional de cada vez:

Que tipo de problema tenho à minha frente e que estratégia devo utilizar?

Esta é uma competência importante no mundo real, porque os problemas no ambiente de trabalho normalmente não chegam com uma etiqueta a dizer ao colaborador que modelo deve usar.

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Oitavo: Generation — não dê a resposta antes de começar o pensamento

Por vezes, o formador pode pedir ao formando que tente chegar a uma solução antes de apresentar a explicação completa.

Por exemplo:

Antes de explicar um modelo de tomada de decisão, o formador apresenta uma situação e pergunta:

Se fosse o responsável, que decisão tomaria? E em que critérios a basearia?

Depois discute as respostas antes de apresentar o modelo científico.

Assim, o formando entra no conteúdo com perguntas e lacunas de conhecimento que ele próprio identificou.

Mas a geração precisa de ser calibrada: se o formando não tiver qualquer conhecimento prévio do domínio, a tentativa pode transformar-se em adivinhação em vez de aprendizagem produtiva.

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Nono: Contextual Variation

Se um colaborador praticar uma competência num único contexto, pode aprender mais a associação entre a competência e esse contexto específico do que o princípio geral.

Por isso, pode variar-se:

• O tipo de cliente.

• A dimensão do problema.

• O nível de informação disponível.

• As restrições de tempo.

• A natureza da equipa.

• O cenário organizacional.

O objetivo não é mudar a competência, mas treinar o formando para reconhecer a estrutura profunda do problema apesar da alteração da sua aparência exterior.

Isto aproxima a formação do conceito de Transferência da Aprendizagem Transfer.

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Décimo: Quando é útil o apoio e quando deve ser retirado?

O Scaffolding é necessário, sobretudo nas primeiras fases da aprendizagem de competências complexas.

O problema não está na existência de apoio, mas na sua continuação depois de o formando já ser capaz de assumir maior responsabilidade.

A formação pode começar, por exemplo, com:

Desempenho completo pelo formador

depois:

Desempenho do formando com passos claros

depois:

Desempenho com indicações limitadas

depois:

Desempenho independente

depois:

Desempenho numa situação nova

Este processo pode chamar-se:

Redução gradual do apoio Fading

O seu objetivo é evitar dois problemas opostos:

a retirada precoce do apoio, que conduz à confusão,

e

a manutenção excessiva do apoio, que conduz à dependência.

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Décimo primeiro: O ponto ótimo de desafio

Não existe um único grau de dificuldade adequado a todos os formandos.

Uma tarefa que representa um desafio útil para um especialista pode ultrapassar a capacidade de um principiante, enquanto uma tarefa desafiante para o principiante pode ser rotineira para o especialista.

Isto está de acordo com a ideia de que a eficácia da formação é influenciada pela interação entre:

Características do formando × Dificuldade da tarefa × Condições de prática

Por isso, o designer deve perguntar:

Quais são os conhecimentos prévios?

Qual é o nível de experiência?

Qual é o grau de complexidade da tarefa?

Quanto apoio está disponível?

Qual é o custo do erro?

E o formando está na fase de adquirir a competência, consolidá-la ou transferi-la?

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Décimo segundo: Matriz proposta de dificuldade da formação

Pode utilizar-se uma matriz prática de quatro níveis:

Zona um: conforto

Dificuldade baixa + capacidade elevada

O formando executa rapidamente e com muito poucos erros.

Risco:

Tédio, baixo crescimento e ilusão de domínio.

Ação:

Aumentar a variedade, reduzir o apoio ou introduzir uma situação nova.

Zona dois: desafio produtivo

Dificuldade adequada + a capacidade do formando permite tentar, recuperar e corrigir

Indicadores:

• Esforço cognitivo claro.

• Erros corrigíveis.

• Capacidade de continuar.

• Melhoria após o feedback.

Esta é, geralmente, a zona-alvo.

Zona três: sobrecarga

A dificuldade é superior aos recursos disponíveis do formando

Indicadores:

• Repetição de erros básicos.

• Não saber por onde começar.

• Dependência total do formador.

• Perda do percurso da tarefa.

Ação:

Decompor a tarefa, repor o apoio, apresentar um exemplo resolvido ou reduzir o número de variáveis.

Zona quatro: caos

Aqui o desafio não resulta da essência da competência, mas de mau design:

instruções pouco claras, informação incompleta, interface complexa, termos não explicados ou atividades que não estão ligadas ao objetivo.

Ação:

Eliminar a dificuldade, não pedir ao formando que se adapte a ela.

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Décimo terceiro: Teste — esta dificuldade é desejável?

Antes de acrescentar qualquer desafio ao programa, o formador pode utilizar cinco perguntas:

1. Que processo cognitivo quero estimular?

Recuperação? Análise? Discriminação? Tomada de decisão? Transferência?

2. O formando tem conhecimentos prévios suficientes para lidar com ele?

Se a resposta for não, pode precisar de preparação de base ou apoio.

3. A dificuldade resulta da tarefa ou de mau design?

Se resultar de mau design, deve ser eliminada.

4. O formando vai receber feedback?

A dificuldade sem oportunidade de correção pode consolidar o erro em vez da aprendizagem.

5. Espero um benefício diferido?

Se a dificuldade reduz o desempenho agora, que evidência espero do seu benefício mais tarde?

Retenção? Transferência? Independência? Flexibilidade?

Se não conseguirmos identificar o benefício, talvez a dificuldade não seja desejável desde o início.

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Décimo quarto: Aplicação prática — redesenho de um programa tradicional

Suponhamos um programa de formação com cinco dias.

Design tradicional

Explicação Exemplo Exercício semelhante Correção Passagem ao tema seguinte.

Algumas partes podem ser redesenhadas da seguinte forma:

Dia um

Fundação do conhecimento + exemplos resolvidos + prática orientada.

Dia dois

Recuperação sem consultar o material + aplicação.

Dia três

Combinar as competências dos dois dias anteriores com uma competência nova.

Dia quatro

Cenários não familiares + redução do apoio.

Dia cinco

Um problema integrador que exija escolher as ferramentas adequadas sem indicar previamente ao formando qual deve utilizar.

Depois:

Após 7 dias

Recuperação breve + caso de aplicação.

Após 30 dias

Situação de transferência ou tarefa relacionada com o trabalho.

Desta forma, a formação deixa de ser apenas cinco dias e torna-se uma estrutura de aprendizagem prolongada no tempo.

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Décimo quinto: A regra do esforço produtivo

A filosofia do artigo pode resumir-se numa regra:

Não torne a formação difícil apenas para cansar o formando; torne-a suficientemente desafiante para o obrigar a praticar o processo mental ou profissional que pretende que permaneça depois da formação.

O critério de dificuldade deixa então de ser:

A atividade é difícil?

e passa a ser:

O que é que esta dificuldade obriga a mente do formando a fazer?

Se a resposta for:

recuperar, comparar, analisar, escolher, gerar, corrigir ou transferir;

podemos estar perante esforço produtivo.

Mas se a resposta for:

procurar o significado das instruções, resistir à distração, compreender mau design ou adivinhar o que é pedido;

estamos perante um fardo que deve ser reduzido.

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Décimo sexto: Do formador facilitador ao engenheiro do desafio

Um dos papéis avançados do formador é não se limitar a facilitar o conteúdo, mas tornar-se capaz de fazer Challenge Calibration.

Isto significa saber:

Quando explicar?

E quando perguntar?

Quando apresentar o modelo?

E quando escondê-lo?

Quando corrigir imediatamente?

E quando permitir outra tentativa?

Quando simplificar?

E quando elevar o nível do problema?

Quando dar apoio?

E quando retirá-lo?

Estas decisões precisas podem influenciar mais a qualidade da aprendizagem do que a própria quantidade de conteúdo.

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Décimo sétimo: Implicações institucionais

Se levarmos a sério o conceito de dificuldades desejáveis, a formação institucional pode precisar de rever alguns dos seus pressupostos.

Não é necessariamente verdade que:

Maior satisfação = melhor aprendizagem.

Também não é necessariamente verdade que:

Menos erros durante a formação = melhor retenção.

Da mesma forma:

Conclusão mais rápida da atividade = maior domínio

não é sempre uma regra correta.

Por isso, os painéis de medição da formação devem incluir indicadores não apenas relacionados com a experiência do formando, mas também com:

• Recuperação diferida.

• Aplicação independente.

• Capacidade de distinguir entre problemas.

• Transferência do conhecimento para um contexto novo.

• Redução da dependência do apoio.

• Sustentabilidade do desempenho.

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Conclusão

A formação eficaz não é a formação que elimina todas as dificuldades do caminho do formando, nem a que o coloca perante desafios que ultrapassam a sua capacidade.

Um design mais maduro distingue entre dois tipos de dificuldade:

uma dificuldade que consome o formando sem o ensinar,

e

uma dificuldade que o obriga a praticar os processos de que precisa para aprender.

Nesse momento, muda a função do formador.

Ele deixa de perguntar apenas:

Como posso tornar o conteúdo mais fácil?

e passa também a perguntar:

Onde deve existir facilidade e onde deve o formando fazer esforço?

Eliminar a distração, a ambiguidade e o mau design é necessário.

Mas eliminar a recuperação, a tentativa, o erro corrigível, a discriminação, a tomada de decisão e a aplicação independente pode tornar a formação mais confortável e menos duradoura.

Por isso, o princípio central do artigo pode ser formulado assim:

A boa formação não aumenta a dificuldade; concebe-a.

Elimina a dificuldade que não serve a aprendizagem e concebe cuidadosamente a dificuldade que leva o formando a pensar, recuperar, escolher e aplicar, para que aquilo que acontece dentro da sala se transforme numa capacidade utilizável fora dela.

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Referências

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Princípio central do artigoA boa formação não aumenta a dificuldade; concebe-a. Elimina a dificuldade que não serve a aprendizagem e concebe cuidadosamente a dificuldade que leva o formando a pensar, recuperar, escolher e aplicar.